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GIORGIO FRATINI nasceu em Prato (Itália) em
1976
É arquitecto. Esteve em Portugal pela
primeira vez em 2000 para estudar
Arquitectura ao abrigo do programa Erasmus.
Vive e trabalha em Florença.
" As Paredes Têm Ouvidos - Sonno Elefante"
é o seu primeiro livro.
«As cidades também são isto: deixar cair as
ruínas e erguer arquitecturas promíscuas
sobre os restos da memória. Em Lisboa, na
Rua António Maria Cardoso, entre os teatros,
os cafés dos intelectuais e os esboços do
Tejo, aquelas ruas de postal que se dobram
repentinamente deslizando para baixo como
pinceladas num quadro. Um antigo e pequeno
edifício nobiliário que amanhã vai ser um
condomínio de luxo dotado de parques de
estacionamento e lojas. Mas até ontem, até
1974, as suas salas acolhiam a sede da PIDE.
"Um dia é uma coisa, no dia a seguir é
outra, é normal, não?..."
PIDE. Um som, um acrónimo, uma palavra que
ainda hoje, para muitos portugueses, provoca
um grande arrepio na espinha: Polícia
Internacional e de Defesa do Estado. O braço
armado do regime: os polícias que controlam,
que nos batem à porta de madrugada, que nos
arrastam para uma cela por causa dos livros
que alguém nos viu ler, por causa das
palavras que alguém nos ouviu pronunciar. E
os lugares, com quem ninguém se preocupa,
registam os acontecimentos de que são
testemunhas resistindo à tentação do sono
elefante, que é o do esquecimento.»
ROBERTO FRANCAVILLA ensina Literatura
Portuguesa e Brasileira na Universidade de
Siena. Também se ocupa de literaturas
africanas. É tradutor e crítico literário. |
AS PAREDES TÊM OUVIDOS
SONNO ELEFANTE
GIORGIO FRATINI
t
Tradução de
Selena da Cruz Testolina
Era uma vez uma rua. Era uma vez um prédio. Era
uma vez uma ditadura.
«A cidade é Lisboa, a de ontem.
E as cidades são assim, como as paredes das
casas e dos quartos. Assistem e testemunham em
silêncio. E se acordam do sono do esquecimento
podem contar a história das vozes, dos gritos e
dos silêncios que foram obrigadas a acolher.»
Roberto Francavilla

A edição original desta
obra é de 2008. Publicada em Itália, pelas
edições Beccogiallo.
"Sonno Elefante" é o título de uma canção de
Paolo Conte, do álbum Elegia (2004). |