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Planeta
Sexo
Turismos sexuais, mercantilização e
desumanização dos corpos
Franck Michel
Tradução de
Vítor Dias
"Metamorfose do capitalismo selvagem,
o turismo sexual prospera sobre as
ruínas das desilusões do
«desenvolvimento» e do «progresso» e
assemelha-se frequentemente a uma
invasão do Sul pelo Norte."
"Entre o corpo-capital de certas
prostitutas «de luxo» dos países do
Norte e o corpo-mercadoria das
prostitutas «da miséria» dos países do
Sul e do Leste, nunca foi tão grande o
risco de se ver desenvolver, um pouco
por todo o planeta, um turismo sexual de
massa. Hoje em dia, o turista sexual só
tem o embaraço da escolha. O mercado
amplia-se e diversifica-se: uma
internacionalização da oferta, com
corpos cada vez mais jovens,
inteiramente disponíveis, nos quatro
cantos do globo.
Turisticamente falando, um país vende-se
melhor quando vende bem as suas
mulheres. A mulher fantasiada começa por
ser vendida em quadricromia nas capas
das brochuras para entusiasmar o
viajante, antes de ser (re)vendida no
seu lugar de existência ou sobretudo de
trabalho. Hipocrisia de um sistema de
valores baseado no consumo de bens com
exagero, um sistema em que «tudo é
negócio» e onde os bens a consumir são
seres humanos.
Metamorfose do capitalismo selvagem, o
turismo sexual prospera sobre as ruínas
das desilusões do «desenvolvimento» e do
«progresso» e assemelha-se
frequentemente a uma invasão do Sul pelo
Norte. Ele permite aos ocidentais que,
aqui ou ali, perderam a batalha da
colonização, restabelecerem posições
firmes nas suas antigas (e novas)
possessões, com uma conquista em vista:
a dos corpos."
Franck Michel nasceu em
1965, em França.
É antropólogo e professor na
Universidade de Corse e fundador da
Associação Déroutes & Détours (www.deroutes.com).
Publicou, entre outras obras, "Voyage au
Bout de la Route" (2004), "Désirs d’Ailleurs"
(2004) e "Autonomadie" (2005).
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