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Comunicação Intercultural
Perspectivas, dilemas e desafios
Coordenação
Rosa Cabecinhas
e
Luís Cunha
O Ano Europeu do Diálogo Intercultural
constituiu o pretexto para um encontro
internacional que decorreu na
Universidade do Minho em Abril de 2008 e
de que este livro é o resultado.
«Para
onde quer que hoje olhemos, resulta
evidente que a circulação de pessoas,
bens e ideias atingiu uma tal dimensão
que se tornou um dos fenómenos mais
marcantes da contemporaneidade. Se
ficarmos pelo entendimento mais comum de
«globalização», corremos o risco de
sermos redutores, ou seja, de enfatizar
apenas uma das suas dimensões,
esquecendo ou subalternizando as
resistências e dissensões.
O confronto entre local e global, por
seu turno, define uma lógica de
polarização que é ainda insuficiente,
reproduzindo, em boa medida, um dos
debates centrais com que se construiu a
modernidade. É no espaço difuso,
liminar, que separa estas duas ideias
que este livro se procura focalizar. Que
existe entre o local e o global? Entre a
homogeneização e a diversidade cultural?
Quais as dinâmicas identitárias
subjacentes aos processos de hibridação
cultural?
O Ano Europeu do Diálogo Intercultural
constituiu o pretexto para um encontro
internacional que decorreu na
Universidade do Minho em Abril de 2008 e
de que este livro é o resultado. Nesse
encontro procurou-se debater a forma
como se vão tecendo e se vão pensando as
relações entre pessoas e grupos sociais;
entre a ideia de Estado-Nação e a
transformação da ideia de fronteira;
entre os proveitos da globalização e a
defesa da especificidade cultural. O
objectivo dos investigadores não foi,
naturalmente, o de encontrar respostas
unívocas para os dilemas e desafios que
a ideia de «Comunicação Intercultural»
enuncia, mas apenas debater algumas das
ideias e pontos de vista que se cruzam
em torno dessa complexa e multifacetada
realidade da comunicação entre
culturas.» ROSA CABECINHAS E LUÍS CUNHA.
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Índice -
. Introdução. Da importância do diálogo
ao desafio da interculturalidade
. Diversidade e diálogo intercultural,
Rosário Farmhouse
PARTE I – Espaços e migrações:
fluxos, leis e olhares
. Imigração e interculturalidade na
União Europeia: Sombra e luz de uma
relação complexa, Isabel Estrada
Carvalhais
. Aculturación y comunicación
intercultural: el caso de inmigración en
España, Anna Zlobina e Dario Páez
. Pelas narrativas do olhar: discursos
fílmicos e fotográficos, Joana Miranda
PARTE II – Representações e
narrativas pós-coloniais
. Mundos locais, mundos globais: a
diferença da história, Maria Paula
Meneses
. Do pós-colonialismo do quotidiano às
identidades hifenizadas: identidades em
exílios pátrios?, Sheila Khan
. Memórias coloniais e diálogos
pós-coloniais: Guiné-Bissau e Portugal,
Rosa Cabecinhas e Nesilita Nhaga
PARTE III – Modos de representação e
formas de pertença
. ¿Que es un lugar? Refl exiones
antropológicas sobre lo cercano y lo
remoto, Ramon Sarró
. Configurações espaciais e regimes de
pertença, Luís Cunha
PARTE IV – Linguagem, discurso e
trocas simbólicas
. Símbolo, metáfora e mito na
comunicação intercultural, Maria Manuel
Baptista
. Syncrétisme et postmodernité,
Jean-Martin Rabot
Rosa Cabecinhas é
licenciada em Psicologia (Universidade
de Lisboa), mestre em Psicologia Social
e Organizacional (ISCTE) e doutora em
Psicossociologia da Comunicação
(Universidade do Minho). É docente no
Instituto de Ciências Sociais da
Universidade do Minho desde 1990. Foi
Directora-Adjunta do Centro de Estudos
de Comunicação e Sociedade entre 2003 e
2006. Actualmente, é directora do
Mestrado em Ciências da Comunicação e
participa como investigadora em diversos
projectos internacionais, dedicando-se
principalmente às seguintes áreas de
investigação: diversidade e comunicação
intercultural; identidade social,
estereótipos e discriminação social;
memória social e representações sociais.
A sua tese de doutoramento, intitulada
«Racismo e etnicidade em Portugal: Uma
análise psicossociológica da
homogeneização das minorias», foi
premiada em 2004 pelo Alto Comissariado
para a Imigração e Minorias Étnicas. Os
seus trabalhos estão publicados em
várias revistas científicas, nacionais e
internacionais. Entre as suas obras
destaca-se o livro «Preto
e Branco: A naturalização da
discriminação racial»
(Campo das Letras, 2007).
Luís Cunha é Doutor em
Antropologia, Professor Auxiliar no
Instituto de Ciências Sociais da
Universidade do Minho e investigador no
Centro de Estudos em Antropologia Social
(ISCTE) e no Núcleo de Estudos em
Antropologia (Universidade do Minho).
Tem realizado investigação acerca dos
processos de construção da identidade
nacional, especificamente em relação ao
Estado Novo, bem como sobre a fronteira
luso-espanhola, neste caso incidindo
sobre o papel da memória social e dos
processos narrativos nas representações
sociais que se lhe associam. Além de
artigos em revistas, tem dois livros
publicados: «A nação nas malhas da sua
identidade. O Estado Novo e a construção
da identidade naciona»l (Afrontamento,
2002) e «Memória social em Campo Maior.
Usos e percursos da fronteira» (Dom
Quixote, 2006).
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